Me criei lá na estância, no ronco forte do vento
O meu pingo batendo casco, levantando pensamento
Mate amargo ao clarear, geada branca no chão
E o galo canta anunciando mais um dia de missão
Guaiaca cheia de história, faca afiada na cinta
Chapéu velho na cabeça, na cintura mais o trinta
O campo é meu professor, nunca me deixou sozinho
Me ensinou que homem firme não se perde no caminho
No fandango, no galpão, a gaita pega a roncar
Sai moda e a bota bate no compasso pra dançar
Coração bate ligeiro quando cruza um certo olhar
Mas gaúcho é desconfiado, custa muito se entregar
Tristeza vindo a cavalo, eu encilho a coragem
Dou um grito pra querência que ecoa na paisagem
Sou raiz que não se arranca nem com o vento minuano
Quem nasceu pra ser campeiro não se dobra por engano
Quando o tempo me chamar, está na hora da partida
Quero um canto lá no campo onde comecei a vida
Um vai dizer para o outro: É bem triste a despedida
De um gaúcho de verdade que nunca fugiu da lida