Salvo-conduta de vilão (O que me sobrou)

Wendell Soares

Eu conheço o teu atrito, a tua forma de voltar
A gente sempre viveu de remendos para não despedaçar
Mas então, vi a porta do futuro ficando estreita, espremida
Deixando algo que você pensa ser fim mas começa na minha vida

E se sempre me doeu o descuido no que você faz
Agora o erro teu não vira história, surge no resto que não sai
Você se esconde no sagrado por pensar que merece paz
Enquanto me deixa sem abrigo num naufrágio contumaz

E eu tô vendo, me rasgando de novo, eu tô vendo
Esse cuidado fajuto que, até então, era quase inocente
Mas me diz se ainda é certo escutar o teu sermão
Quando de salvo-conduto exibe uma fé que tenta lavar sua ação?

Amar não é admitir tudo, nem aplaudir tua versão
Não é virar seu álibi com cara limpa e coração na mão
Se eu pareço o vilão, eu pago o preço sem teatro
Porque eu escolhi viver e isso exige o meu retrato

Sumir atrás da Bíblia não te troca de lugar
Se os joelhos estão no chão mas o egoísmo alcança o céu
E chama de fraqueza humana o que é escolha em ser cruel
Ao proferir palavras que saem, somem e morrem no ar

Por isso decidi não lutar, nem te vencer no argumento
Eu só quero me manter inteiro no teu movimento
Se você me ama, escuta: Não é ataque, é direção
Eu preciso cuidar de mim pra não morrer na tua mão

Amar não é admitir tudo, nem aplaudir tua versão
Não é virar seu álibi com cara limpa e coração na mão
Se eu pareço o vilão, eu pago o preço sem teatro
Porque eu escolhi viver, e isso exige o meu retrato

Se a tua prece for abrigo, que ela te ensine a reparar
Porque o mesmo Deus que lhe é escudo, a mim foi ausente
E por isso, sim, por isso, me fez ver como urgente
Desabitar de você pra que eu consiga, ao menos, respirar


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