Opera Triste

Walter Bernardino

Sou cantador dessas modas antigas
Dessas pulúrias que fazem chorar
Trago em meu peito a saudade de um tempo
Que a felicidade se fez encantar
Mas estou agora vivendo uma luta
Tentando esquecer um amor que se foi
Comendo amargo veneno araruta
Bebendo orgulho com sangue de boi

Essa água ardente com gosto de fogo
Do inferno grave que eu trago, me faz
Ora esquecer a saudade na mente
Do rosto daquela que quero demais
Ela aparece nos meus pesadelos
Nesse desmantelo me pego a cantar
Versos e trovas que fazem sentido
Somente pra quem sabe o que é amar

Ou! Ou! Ou! Ou! Ou! Vaqueiro, vaqueiro

Saio a cavalo mas desembestado
Sem medo da morte tentando fugir
Das imbrubâncias do fundo da mente
Prevendo um abismo que eu possa cair
E acabar com essa ópera triste
Que em minha viola ponteio a chorar
Rezando versos que eu falo e solfejo
Evocando a morte pra se consumar

Eu já não durmo com medo de tudo
Pensando que eu posso não mais acordar
E nunca mais receber os carinhos
Daquela malvada que me faz penar
Toco a manada sob a tempestade
Quem sabe um raio venha me queimar
Meu corpo, a terra, ao tempo, ao relento
Animais e vermes venham me devorar

Ou! Ou! Ou! Ou! Ou! O ou! Ou! Vaqueiro, vaqueiro

Alguém entregue a dor e ao remorso
Na rede do rancho sou eu a esperar
Vendo os cachorros latir na porteira
Que coisa mais linda acabou de chegar
Ela promete que fica comigo
Contanto que eu deixe de me embriagar
E volte a ser o vaqueiro famado
Dos palcos e glórias de todo o lugar

Felicidade é ter com a gente
Alguém que se sente o bem que lhe faz
Com a viola altivo e plangente
Eu canto por ela que amo demais
E pro destino cruel e nocivo
Enquanto eu for vivo estou a mercê
Da minha sorte esperando a morte
Buscando alegrias enquanto eu viver

Ou! Ou! Ou! Ou! Ou! Ou! Vaqueiro vaqueiro


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