Meus Oito Anos (Cassemiro de Abreu)

Walter Bernardino

Ah! Que saudade que eu tenho
Da aurora da minha vida
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais
Ah! Que amor, que sonhos, que flôres
Daquelas tardes fagueiras a sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais
Ah! Como são belos dias
Do despontar da existência
Respira a alma inocência como perfume da flôr
Ah! O mar é lago sereno
O céu um manto azulado
O mundo um sonho dourado
A vida um hino de amor
Ah! Que auroras, que Sol, que vida
Que noites de melodia naquela doce alegria
Naquele ingênuo folgar
Ah! O céu bordado de estrelas
A terra de aroma cheia
As ondas beijando a areia
A Lua beijando o mar

Oh! Dias da minha infância
Oh! No meu céu primavera
Que doce a vida que era
Nessa risonha manhã
Ah! Em vez de mágoas de agora
Eu tinha nessas delícias
De minha mâe as carícias
E beijos de minha irmã
Ah! Livre filho das montanhas
Eu ia bem satifeito de camisa aberto ao peito
Pés descalços, braços nús
E correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras
Atrais da asas ligeiras das borboletas azuis
Ah! Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas, trepava a tirar mangas
Brincava a beira do mar
Ah! Resava as Aves-Marias
Achava o céu sempre lindo
Adormecia sorrindo e despertava a cantar


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