Recolhas As Minhas Lágrimas

Walber Costa

Oh
Oh

A casa ainda guarda a tua voz
Nos corredores frios do fim da tarde
E eu caminho entre retratos
Tentando entender
Como alguém desaparece assim

Enquanto o mundo segue indiferente
Mas tudo aqui parou
Eu falo teu nome em silêncio
Como quem espera
Que o tempo volte atrás

E às vezes vem a raiva
Como chuva contra o vidro
Por que você teve que partir?
E a voz nunca responde

Mas eu ainda vejo você
Nas estrelas antes do amanhecer
No vento atravessando as árvores
Como se dissesse
Você vai sobreviver

E quando a noite pesa demais
Eu fecho os olhos pra lembrar
Que o amor não desaparece
Mesmo quando alguém se vai

Disseram pra eu dar tempo ao tempo
Mas o tempo anda devagar
Há dias em que a dor retorna
Como ondas quebrando
Sem avisar

Então eu aprendi a falar
Sobre tudo que escondi
As lágrimas não são fraqueza
São marcas de alguém
Que amou até o fim

E quando eu não consigo mais
Eu olho pro céu vazio
Tentando acreditar
Que existe algo além daqui

Porque eu ainda vejo você
Em cada sonho que ficou
Nas canções tocando baixo
No rádio antigo do quarto

E eu quero acreditar
Que um dia vou te encontrar
Sem despedidas
Sem hospitais
Sem medo de perder

Talvez a dor nunca vá embora completamente
Talvez ela apenas aprenda
A respirar devagar dentro da gente

Então eu sigo em frente
Mesmo com o peito em ruínas
Porque o amor que ficou
Ainda ilumina

E quando tudo parecer escuro
Eu vou lembrar
Nenhuma ausência é maior
Que a esperança
De um novo amanhecer

Oh
Oh


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