Eles traçaram mapas em cima da pele do mundo
Como quem corta um sonho pra ver o que tem no fundo
Dois reinos gigantes, dois egos de aço e de fel
Disputando o direito de arranhar o azul do céu
Levantam estandartes que o vento logo desfaz
Prometendo uma glória que custa o preço da paz
A ganância é um fósforo riscado no escuro do tempo
Buscando o incêndio que vai virar apenas relento
E a orquestra das botas marcha sobre o altar
Pois quem quer ser Deus não sabe que é hora de se curvar
O trono de ferro não passa de um frio amontoado
Um monumento erguido pra um rei que foi derrotado
Eles cavam o abismo pra tentar alcançar a altura
Buscando o brilho eterno na própria sepultura
Mas quando o Sol se apaga e a noite vem colher
Somos apenas rascunhos de um mundo que queremos esquecer
Sim, somos só a lembrança de um sonho que parou de doer
Fragmentos de sombra que o tempo vai dissolver
A história é um livro escrito com a tinta do medo
Onde cada capítulo esconde o mesmo segredo
As nações se degladiam por um punhado de pó
Enquanto a vida desfila, soltando cada um de nós do nó
A importância que buscam é uma máscara de cera
Derretendo no calor dessa eterna primavera
Eles querem ser lendas, nomes gravados em pedra
Mas o musgo da história consome tudo o que ele herda
Não há medalha que brilhe na hora do adeus
O céu não faz distinção entre o meu povo e os teus
O silêncio é a língua que todos vamos falar
Quando a cortina cair e ninguém mais precisar brigar
Eles cavam o abismo pra tentar alcançar a altura
Buscando o brilho eterno na própria sepultura
Mas quando o Sol se apaga e a noite vem colher
Somos apenas rascunhos de um mundo que queremos esquecer
Sim, somos só a lembrança de um sonho que parou de doer
Fragmentos de sombra que o tempo vai dissolver
O vento apaga o nome
O tempo desfaz o plano
Na contagem final do engano
Sobramos nós, humanos
Apenas lembranças
De um mundo que tentamos esquecer