O vento sopra diferente hoje
Tem algo no ar que ninguém quer ouvir
Ele veio andando entre sombras e pó
Com os olhos cansados de tanto prever
Carrega nas mãos um silêncio maior
Que todas as vozes que fingem não ver
As ruas estão ocupadas demais
Com sonhos baratos pra se distrair
Mas cada segundo que o mundo desfaz
É mais um aviso que insiste em cair
E ninguém quer escutar
Quando a verdade vem sem cor
Sem promessas pra vender
Sem disfarces de amor
Ele grita: É o último dia
Mas ninguém quer acreditar
Entre o medo e a ironia
Todos escolhem não olhar
E o céu rasga em agonia
Mas parece tão normal
Ele é só mais um que avisa
O mensageiro do final
Seus passos ecoam num tempo que dói
Como um velho relógio prestes a parar
Cada palavra é um peso que corrói
As certezas que insistem em ficar
Ele viu o que ninguém suportou
O começo escondido no fim
E no rosto marcado ele carregou
O destino que foge de mim
Mas quem vai reconhecer
Quando a hora enfim chegar?
Se a verdade incomoda mais
Do que o medo de acabar
Ele grita: É o último dia
Mas ninguém quer acreditar
Entre o riso e a covardia
Todos correm sem pensar
E o céu chora em sinfonia
Num silêncio quase irreal
Ele é só mais um que avisa
O mensageiro do final
E quando as luzes se apagarem
Quem vai lembrar do que ignorou?
Quando não houver mais palavras
Quem vai dizer que não escutou?
O tempo não pede licença
Nem volta pra se explicar
E o que foi deixado pra depois
Já não vai mais voltar
(Último chamado)
(Último sinal)
Ele grita: É o último dia
Agora não dá pra negar
Entre ruínas e memórias
Só resta o que não quis mudar
E o céu cai como profecia
Num desfecho inevitável
Ele não era loucura
Era o aviso mais real
E no fim, quando tudo silencia
Só o eco da verdade fica