Vestido em púrpura, o linho a brilhar
Banquete servido, o Sol a girar
O vinho nas taças, o riso, o esplendor
Esquecido do mundo, do frio e da dor
Mas no portão, onde o dia se esconde
Um homem em chagas, um grito sem nome
Migalhas caíam, o resto do pão
Lázaro estende a palma da mão
Os cães vinham perto, o toque da fera
Na porta do rico, a vida desespera
O tempo passou, o sino tocou
O fim do banquete, o silêncio chegou
Entre a glória e o pó, o caminho traçado
Onde o orgulho dorme e o pobre é amado
O abismo é profundo, o abismo é real
E o eco da escolha soa no final!
Do outro lado da chama, o olhar que levanta
Vê longe o conforto, o abraço que canta
Por favor, tem piedade! Uma gota, um frescor!
A língua me queima, eu morro de dor!
Mas a voz ecoou, como pedra no chão
Lembra-te, filho, da tua ostentação
Ele teve a miséria, tu tiveste o prazer
Agora o consolo é o que ele vai ter
Um grande abismo, um vão, uma fronteira
Não há quem atravesse, não há quem maneire
O destino está posto, a sorte está lançada
Não há mais retorno, não há mais jornada
Pai, rogo agora, por meus cinco irmãos!
Que alguém vá lá fora, estenda as mãos!
Que um morto retorne, que a vida desperte
Pra que eles não venham pro que me converte!
Eles têm os profetas, têm a lei na mão
Se não ouvem a voz, não terão redenção
Se a morte voltar e o sinal não for visto
A alma é surda
Ao grito do mito