Muita coisa aconteceu
E, ainda que você esteja distante
Eu ainda a vejo assim
Perdida no espaço que criamos
Cada vez mais longe de mim
Percorro agora caminhos que não existem
Certo de esperanças que eu mesmo desenhei
Demonstrando evidências de uma realidade
Que, embora exista, ninguém mais observou
Você não soube escolher a trilha correta
Buscou a própria sabedoria
O próprio labirinto
E, ao final, descobriu a única verdade
Você, apenas você, estará sozinha
Eu não lhe quero mais
Nem desejo ver o que restou
O tempo ainda não chegou
De se abrir todos os livros
E prefiro que as páginas continuem seladas
Terra, poeira, altura sem limite
Quanto tempo você ainda ficará de pé?
Quanto tempo ainda sustentará o meu círculo?
Se alguém tiver ouvidos, que ouça
Se alguém for ao cativeiro, que vá
Se alguém matar, terá de ser morto
Sete andavam ao seu redor
Continuamente, com forças equipadas para a guerra
Bastou um grande grito no sétimo dia
Para que tudo caísse
Queimando a fogo
Tudo o que nela havia
Agora resta apenas o silêncio sobre os escombros
Pedras que um dia foram muralhas intransponíveis
Desintegradas pelo sopro da própria teimosia
Não restou sequer um vestígio do que construímos
A poeira que encobre o chão
É a única história que resta
Para aqueles que, enfim, viram o que escondiam