Bater o Martelo

Walber Costa

Caminhei por tantas trilhas que perdi a direção
Saltando entre galhos, buscando uma razão
Um projeto novo a cada amanhecer
Sem saber o brilho que eu precisava acender
O metal do casco, o gigante a parar
Perdido na inércia, sem conseguir navegar
O silêncio do porto gritava o prejuízo
Eu buscava a chave, mas não via o aviso

É preciso ter calma pra entender o lugar
Onde a força se torna o ato de salvar
A maestria não pesa, ela sabe o porquê
O valor não é o tempo, é o que o olhar pode ver

Vieram as mãos que tentaram, mas não encontraram a falha
Cansaram a mente no meio da batalha
O papel assinado, o custo da tentativa
A máquina fria, sem pulso, sem vida
Até que o silêncio encontrou o seu mestre
Com a mala na mão, num gesto terrestre
Minutos breves, um toque preciso
O aço respondeu com um novo sorriso

O papel sobre a mesa, a conta detalhada
A batida na válvula, uma nota cobrada
O valor pelo esforço foi quase um presente
Mas o preço da busca ficou na minha mente
Não pago pelo tempo, nem pelo movimento
Pago pela vida, pelo raro discernimento
A mão que conhece o ponto exato da dor
Transforma o problema em novo motor

É preciso ter calma pra entender o lugar
Onde a força se torna o ato de salvar
A maestria não pesa, ela sabe o porquê
O valor não é o tempo, é o que o olhar pode ver

Conhecer é aplicar, a lição aprendida
O martelo guardado, a máquina erguida
Onde o toque é leve, a cura é total
O saber é o cume, o cume é o final


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