O chão é de quem colhe e não planta
Não, dos que plantam e não comem
Mas, no acerto de contas derradeiro
O leito justo que iguala os homens
Do chão donde se levanta
O pó que cega a visão
Também se erguem as luzes
Que iluminam a escuridão
No chão, de onde se ergue
A fome que aflige irmãos
Também germinam searas
De quem ara mesas de pão
Do chão se erguem as grades
Que encarceram a cidade
Dele se elevam os galhos
Pras canoras da liberdade
Do chão se levantam frutos
Plantados pelos arados
Mas, não é justa a partilha
Na cartilha dos aquinhoados
Nesse chão, às vezes, vicejam
Os mais injustos testamentos
Aos ricos, as posses sobejam
Aos pobres, legam lamentos