O Chão Iguala Os Homens

Volmir Coelho

O chão é de quem colhe e não planta
Não, dos que plantam e não comem
Mas, no acerto de contas derradeiro
O leito justo que iguala os homens

Do chão donde se levanta
O pó que cega a visão
Também se erguem as luzes
Que iluminam a escuridão

No chão, de onde se ergue
A fome que aflige irmãos
Também germinam searas
De quem ara mesas de pão

Do chão se erguem as grades
Que encarceram a cidade
Dele se elevam os galhos
Pras canoras da liberdade

Do chão se levantam frutos
Plantados pelos arados
Mas, não é justa a partilha
Na cartilha dos aquinhoados

Nesse chão, às vezes, vicejam
Os mais injustos testamentos
Aos ricos, as posses sobejam
Aos pobres, legam lamentos


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