Isto É Sertão

Vieira e Vieirinha

Moro nesta grande capital paulista
Sou um pobre artista vindo do interior
Canto versos simples lá do meu sertão
Com meu coração a delirar de dor

A cidade linda com seus prédios altos
Rua de asfalto já não me seduz
Penso no meu rancho que ficou na mata
Lá onde a cascata tem mais brilho e luz

A dor desse sonho vejo-me, na selva
O verdor Da relva prende o meu olhar
Amanhece o dia, passarada canta alegria
É tanta, por estes lugares

A floresta vibra pois o Sol não tarda
Tenho uma espingarda boa para caçar
A manhã, convida para uma caçada
Vou matar queixada para o meu jantar

E por ser domingo deixo-se o trabalho
Vou seguir o atalho que vai dar no rio
Lá se encontra muita onça e capivara
Cervo, é coisa rara, como diz meu tio

Pássaro ferreiro seu cantar modula
Um macaco pula muito amedrontado
A urutu se arrasta vagarosamente
Sobre a terra quente é bom tomar cuidado

A saúva preta, plantação, faz dano
Bando de tucano e de periquitos
Fazendo algazarra micos e bugio
Soltando assobios e também dão grito

Gralhas e maitacas fazem grande alarde
Vou armar a tarde, alguma urupuca
Chove nestas bandas só de vez em quando
E já está chegando o tempo das mutucas

As abelhas zumbem, borboletas voam
Lá distante soa o festival gorjeio
O chupim maldoso os filhotes piam
Os insetos chiam sem nenhum receio

Aqui eu convivo com a natureza
Vendo esta beleza do Brasil amado
Deus aqui me fala de felicidade
Mas lá na cidade morro amargurado


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