Eu brindei com o exagero, sim
Dancei com as minhas contradições
Confundi o palco com o meu próprio espelho
E a vaidade com revolução
Eu fiz do caos a minha bandeira
Achei bonito me perder
Mas era só meu garoto interno
Apavorado porque logo ia morrer
Hoje eu sei que liberdade verdadeira mesmo
É ter a coragem de se ver por inteiro
Até com imperfeições
Tem gente que usa minha bagunça
Pra justificar a própria falta de responsabilidade
Isso não é rebeldia
É medo disfarçado de encarar a própria sujeira
É o bonde do caju
Deixa o amor entrar
Vem se elevar
Eu gritei contra o sistema
Mas eu não sabia
Que o sistema mais cruel
Era o que eu repetia dentro de mim
Romantizei os meus cortes
Fiz pose de furacão
Mas aprendi que quem se salva de verdade
Nem precisa de explosão
Liberdade não é se destruir
Não é provar que aguenta mais que todo mundo
Não é fazer do próprio corpo um campo de batalha
Só pra chamar atenção do vazio
É o bonde do caju
Deixa o amor entrar
Vem se elevar
Não é careta sentir medo
Nem fraqueza pedir ajuda
O verdadeiro revolucionário
É quem se cura e continua
Não me põe num altar dourado não
Nem usa meu erro pra fugir de você
Se eu deixei alguma herança
Que seja a coragem de ser você mesmo
E de evoluir
Autenticidade não combina com autodestruição
É o bonde do caju
Deixa o amor entrar
Vem se elevar
Eu quero fogo que aquece
Sem precisar me destruir
Se for pra brindar à vida
Que seja pra florescer e seguir
Se eu puder servir pra alguma coisa agora
Que seja pra lembrar
Viver é fogo
Mas você não precisa se queimar
Pra iluminar o seu mundo
É o bonde do caju
Deixa o amor entrar
Vem se elevar
E pega pra você a tua força e vai