Mortal

Verônica Sabino

Não tenho superpoderes
Não sou seu anjo da guarda
Nem sou seu herói do futebol

Às vezes me tranco aqui dentro
Sonhos escapam do peito
Navegando sem direção

E não mudo o curso dos rios
Canto o que sonho, o que sinto
Rabiscando versos sem parar

Eu não sou o que você pensa
Nesses acordes que eu faço
É fácil ser qualquer um

Ser humano é tão sem graça
Quando a gente leva a fama
De curar qualquer mal

E às vezes tiro proveito
Desse talento que eu tenho
Às vezes eu nem quero saber

Entro sem medo na arena
E quando abre a cortina
Finjo bem o que eu sei fingir


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