Após outra noite insone
Tremo na ducha gelada
Sento-me à mesa sem fome
Sem conseguir comer nada
Me debruço na janela
E acendo um outro cigarro
Na avenida paralela
Outro acidente de carro
Impaciência que aumenta
Ao ver que nada me agrada
Escolho uma vestimenta
Tal qual as demais, folgada
Acelera, freia, traga
Dirigindo e ofendendo
Cada brasa que se apaga
Já vê outra se acendendo
Eu, em meu Corcel velhaco
Sigo nos rumos descritos
Meu escape e meu tabaco
Seguem gerando detritos
Sento na sala de espera
Munido do laudo à mão
Observando a quimera
Que lota esse saguão
Esse amarelo-pus
Mal se mantendo sentado
Outro vestindo capuz
Esconde o escalpo pelado
Um de feição mais saudável
Olha tudo, assustado
E sua companheira amável
Nunca abandona seu lado
Chamam um senhor doente
Que sente falta de ar
Há cinco na minha frente
Portanto saio fumar