O toque é estridente, rasgando a escuridão
Quatro e meia da manhã, Beto põe o pé no chão
Cuidado com os filhos, o quarto é úmido e frio
O ronco do ônibus na janela é um desafio
Café forte e pão amanhecido pra aguentar
O tempo é o carrasco que ele tenta alcançar
É o peso da escolha contra o peso do fardo
Um vive no trono, o outro vive acuado!
Um traça o destino num painel de cristal
O outro é o dente da engrenagem fatal!
Liberdade de um é o suor do outro
Nesse jogo marcado, o mundo é um soco no rosto!
Carro elétrico, couro e massagem no assento
Trânsito é palestra, investimento e momento
Artur decide destinos, milhões em sua mão
O estresse é o futuro, a manutenção da mansão
Beto é o estoque, é a caixa, é o cansaço
Marmita em quinze minutos, o corpo é o seu laço
O estresse é o agora, é o osso a doer
Rezando pro corpo o mês inteiro vencer
Vinho caro e leitura, o império a vigiar
Dormir com a estratégia de como multiplicar
Jantar em família, a dor nas costas a queimar
Dormir com o medo de nada conseguir guardar
Um escolhe as peças, o outro tenta não cair
A distância é o abismo que impede o mundo de unir
Não é só o que tem! É o poder de dizer não!
Um é o dono do tempo! O outro é escravo da mão!
É o peso da escolha contra o peso do fardo
Um vive no trono, o outro vive acuado!
Um traça o destino num painel de cristal
O outro é o dente da engrenagem fatal!
Liberdade de um é o suor do outro
Nesse jogo marcado, o mundo é um soco no rosto!