Dias Que Não Volta Mais

Valdiner Pereira

Amanhecer na cidade de Itanhém
Ar fresco na minha pele, roupas simples
Meu irmão e minhas irmãs ainda pequenas
Meu avô vindo da padaria com os pães
Enrolado no papel madeira, amarrados com cordão
Esta era a visão quando ele virava a esquina

Não precisava de muito mais do que tinha
Luz do dia, sonhos de casa com uma caixa de água e uma torneira
Brincadeiras no quintal até as estrelas brilharem

Eu era um garoto da casa, correndo solto e me sentindo livre
Tinha tia e prima para brincar, e uma avó maravilhosa
Bebia água da mangueira, pensando no quarto que ninguém podia entrar
A vida era simples
Era assim que vivíamos
Sim, eu amei cada minuto crescendo como um garoto na cidade de Itanhém

Garrafas de leite na porta, o creme subindo à superfície
Sobras eram nosso fast food
Pão quentinho do forno de um fogão econômico
Na cozinha de piso vermelho, fogão a lenha
E o pão torrado que saía, dias que não voltam mais

Esconde-esconde até o pôr do Sol
Risadas ecoam no quintal
Frutas como banana e coco verde não faltavam

Não conhecia o medo, não conhecia a pressa
Não conhecia telas ou preocupações modernas

Eu era um garoto da cidade, correndo solto e me sentindo livre
Os postes de luz me chamando para casa, como um farol no mar
Bebendo água da mangueira, pensando descalço
A vida era simples
Meu avô morava na rua principal
Pois a igreja ficava no fim da rua
Com uma ladeira que parecia impossível chegar ao fim
Era assim que vivíamos
Sim, eu amei cada minuto crescendo como um garoto da cidade

Era gostoso ouvir os cavalos passando
As ferraduras emitindo um som do metal ao tocar no calçamento
Dias maravilhosos, mas sempre tinha que ir embora
Era a casa do meu avô

Os sinos da igreja no domingo de manhã
Na quarta-feira à noite inclinávamos nossas cabeças
A oração da mamãe antes de comermos
Cada palavra que ela disse ainda ressoa

Vigiávamos nossas bocas, aprendíamos respeito
Não temíamos nada, nada ainda
Essas lições construíram um coração tão forte
Que ainda bate ao ritmo daquela canção de infância

Eu era um garoto da cidade, correndo solto e me sentindo livre
Os postes de luz me chamando para casa, como um farol no mar
Bebendo água da mangueira, pensando descalço
A vida era simples
Era assim que vivíamos
Sim, eu amei cada minuto crescendo como um garoto da cidade

Oh, eu amei cada minuto
Sendo apenas um garoto da cidade


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