Código De Barra Da Vida

Valdiner Pereira

Olha pra trás, moleque
Quatorze anos no relógio
Um dia normal que virou pesadelo
Escuta a visão

Quatorze anos de idade, o Sol na janela
Dia comum de criar planos na favela
Pensando em brincar, o dia mal tinha começado
Fui na padaria e o destino foi cruzado
Um cara mais velho passa e me encara de lado
Mal sabia eu que o gatilho tava puxado
Caminho da escola, o perigo me abraça
Outro cara me agarra, me joga no carro e passa
Subindo o morro que eu nunca tinha visto
Cenário de guerra, onde o medo é o registro
O garoto da escola me aponta o dedo na cara
Disse que a mina era dele e a cobrança não para

Sem alternativa, o cano frio na minha testa
O suor pingando, achando que a vida não resta
Fechei os olhos, o clarão, o barulho do estrondo
Quando pisquei, o corpo no chão se contorcendo
Um tiro do nada, os cara correram de medo
Fugi morro abaixo, guardando aquele segredo
Cheguei em casa, o plantão da TV anunciava
O tiroteio no morro, a morte que me cercava
Achei que tava salvo, mas o pesadelo era gigante
O cara que morreu era o tal do traficante
A conta chegou, o chefe mandou o aviso
Você me deve uma vida, seu sangue é o prejuízo

A vida é boa, mas o preço é severo
Hoje o dinheiro não compra o que eu quero
Não posso ver o meu time jogar no estádio
Sou prisioneiro do próprio raio
Lute pela sua vida, não viva devendo
O mundo avança e a gente morrendo

Primeira missão, encomenda na mão, sem saber de quem
Sem saber pra onde ia, se ia pro mal ou pro bem
Só entrega e fica vivo, foi a ordem que escutei
O tempo passou e nas grades do crime eu entrei
Obrigado pelo medo, engolido pelo movimento
Hoje eu comando a turma, respeito que vem do vento
Mas que respeito é esse que me roubou o futuro?
Sem escola, sem família, caminhando no escuro
A tecnologia avança, a câmera tá na esquina
O mundo fotografado monitora a minha rotina
Não posso passar na rua onde todo mundo vai
O sistema me caça, a minha paz se esvai

A vida é boa, mas o preço é severo
Hoje o dinheiro não compra o que eu quero
Não posso ver o meu time jogar no estádio
Sou prisioneiro do próprio raio
Lute pela sua vida, não viva devendo
O mundo avança e a gente morrendo

É o que eu te digo, menor, escuta o que eu passei
Comando a boca, mas perdi a minha vida
Não use o dinheiro que o crime te dá
Lute pelo que é seu
Não viva para dever nada a ninguém
Seja feliz longe disso aqui
Valoriza a tua vida, enquanto há tempo


All lyrics are property and copyright of their owners. All lyrics provided for educational purposes only.