Ah, ah, ah
Na quebrada o céu é cinza
Mas o chamado vem azul
Tem coisa que não dá pra negar
Tem coisa que vem de dentro
Ah
Tinha 14 anos, pivete, mente confusa
Católico preparando pra coroinha
Achava que fé era reza, era doutrina confusa
Mas o céu falava alto, a alma pulsava no peito
Saudade de um lugar que nem lembrava direito
Olhava pro alto, São Paulo abafado
As luzes da cidade e um brilho isolado
Uma bola no céu me seguia no trajeto
Subia os prédios, mudava o afeto
Corri, parei, voltei, olhei, ela parava também
Tipo naves piscando, o olho do além
Lá pelos 14, 15 anos o bagulho ficou sério
A luz virou portal, mistério
Cheguei em casa, o corpo quase dormia
23 e 33, o relógio em vigília
Rezei pai nosso como um bom menino
Mas o quarto brilhou, parecia destino
Uma luz azul entrou pela janela
Virou bola viva, densa e bela
Não dava pra olhar, forte demais
Um azul que falava sem voz, sem sinais
Voz metálica, som