Na quebrada o céu é cinza
Mas o chamado vem azul
Tem coisa que não dá pra negar
Tem coisa que vem de dentro
Vem de dentro do peito
Vem de dentro da rua
Vem de dentro
Tinha 14 anos, privatamente confusa
Católico preparando pra coroinha
Achava que fé era reza, era doutrina confusa
Mas o céu falava alto, alma pulsava no peito
Saudade de um lugar que nem lembrava direito
Saudade que não tem endereço, só eco no universo
Olhava pro alto, São Paulo abafado
As luzes da cidade, um brilho isolado
Uma bola no céu me seguia no trajeto
Subia os prédios, mudava o afeto
Corri, parei, voltei, olhei
E ela parava também
Tipo nave piscando o olho do além
Lá pelos 14 e 15 o bagulho ficou sério
E a luz virou portal, mistério
Cheguei em casa, o corpo quase dormia
23 e 33, o relógio em vigília
Rezei pai nosso como bom menino
Mas o quarto brilhou, parecia destino
Destino, brilho, missão no caminho
Uma luz azul entrou pela janela
Virou bola viva, densa e bela
Não dava pra olhar forte demais
Azul que falava sem voz, sem sinais
Sem sinais
Mas eu entendi
Voz metálica, som de metal batendo
Mas era palavra e eu compreendendo
O corpo travado, mas a mente viva
Um segundo virou hora
Hora divina
Foi ali que tudo virou missão
A voz disse aceita
E eu só respondi aceito
Sem medo, sem fuga, direto pro centro
Apareci num lugar diferente
Parecia nave, estrelas cadentes
Olhei melhor, vi que era cápsula com mais seis de frente
Cena fantástica
Acordei às três e meia, mente em brasa
Aprendi que o mundo não é só casa
Dia seguinte, mente e corpo travado
Tentei ir pra escola, mas fiquei parado
Parado
Mas desperto
Parado
Mas desperto
Parado
Mas desperto
Fui no padre, coração na mão
Padre Paulo ouviu minha confissão
Disse tu não é católico, tu é de missão
Vai buscar tua verdade, segue tua visão
Segue tua visão, tua missão
Com quinze formei grupo no parque
Meditava com sessenta, energia no ar sem alarde
Falava de aura, pirâmide de luz
Enquanto os adultos vinham, ninguém traduz
Mas senti
Com dezesseis saí do corpo dormindo
Vi meu mentor, ele tava sorrindo
Seres de luz me cercaram ali
Eu percebi morrer não é sumir
Não é sumir
É seguir, evoluir
Não é sumir
Mas ver aura e espírito é benzer castigo
Ver demais é carga, é perigo
Pedi pra Deus fechar o canal
Senão a mente ia pro hospital
Hospital mental, mente de cristal
Volto o tempo, aprendi a filtrar
Ver ou não ver, sentir e escutar
Aos dezessete vi meu nome no astral
Ecou no plano total
Trinta e oito anos depois tô aqui com cinquenta e dois
Ainda aprendi a luz azul nunca me deixou
Mesmo quando o sistema me engoliu, ela voltou
Trabalhei, construí, ganhei, perdi
O sucesso cobrava o que eu não pedi
Fechei a empresa, dei um basta geral
Não quis ser rico, quis ser real
Me vendi a todos
Não voltei pra vida interna em oração
Vários lugares viraram extensão
Hoje se eu que viver com aquele noob
Esse zicarim vai evoluir pra evoluir
Seu Jair chaveus tão sustentando a ventade
E o povo pobre é uma falsidade
Esperitaridade, um avetril
Me disse um filho, peguei a honra
Escripênia
Peguei a honra, justifíquia
A terra é Shan e Zamboedim
Vai quem colhe se o erro é que é de espera
Eu te levar na mais mão pra na mão entrar por a samba
Vão e vêm na arete, na concração
Tô habitação
Pra criação
Posto seis do lado
Mas ótimo é tudo
Os homens caros roam
Eles vinham sempre em multa
Mas torneu
A luz avoa naquela mistéria
Lá cheguem lá homens azul
Eu vou voar pra Balecum
Vem de dentro
Vem de dentro