Na quebrada o céu é cinza
Mas o chamado vem azul
Tem coisa que não dá pra negar
Tem coisa que vem de dentro
Tinha 14, pivete, mente confusa
Católico, coroinha, achava que fé era reza na blusa
Mas o céu falava alto, alma pulsava no peito
Saudade de um lugar que eu nem lembrava direito
Olhava pro alto, São Paulo abafado
As luzes da cidade, um brilho isolado
Uma bola no céu me seguia no trajeto
Subia os prédios, mudava o afeto
Corri, parei, voltei, olhei
Ela parava também
Era tipo Deus piscando o olho além
Lá pelos 14:15 o bagulho ficou sério
E a luz virou portal mistério
Cheguei na casa da minha tia, 23:03
Relógio em vigília
Rezei Pai Nosso como bom menino
Mas o quarto brilhou, parecia destino
Uma luz azul entrou pela janela
Virou bola viva, dança
Estrela, não dava pra olhar
Forte demais, um azul que falava sem voz, sem sinal
Voz metálica, som de metal batendo
Mas era palavra, eu compreendendo
O corpo travado, mas a mente viva
Um segundo virou hora, hora divina
Foi ali que tudo virou missão
A voz disse aceita
E eu só respondi aceito
Sem entender, mas entendendo tudo
Acordei às 3:30, mente em brasa
Aprendi que o mundo não era só casa
No dia seguinte, corpo travado
Tentei ir pra escola, mas fiquei parado
Fui no padre, coração na mão
Padre Paulo ouviu minha confissão
Disse: Tu não é católico, tu é de missão
Vai buscar tua verdade, segue tua visão
Com 15, formei grupo de estudo no parque
Meditava com 60 pessoas, energia no ar, sem alarde
Falava de aura, pirâmide, luz
Enquanto os adultos vinham
Ninguém traduz
Com 16, saí do corpo dormindo
Vi meu mentor, ele tava sorrindo
Os seres de luz me cercaram ali
Eu percebi, morrer não é sumir
Mas ver aura, espíritos, é benção ou castigo?
Ver demais é carga, é perigo?
Pedir pra Deus fechar o canal
Senão a mente ia pro hospital
Com o tempo aprendi a filtrar
Ver ou não ver, sentir e escutar
Aos 17 vi meu nome no astral
Shietnar ecoou no plano total
38 anos depois, tô aqui
Com 52 ainda aprendi a luz
Universo nunca me deixou
Mesmo quando o sistema me engoliu, ela voltou
Trabalhei, construí, ganhei, perdi
O sucesso cobrava o que eu não pedi
Fechei a empresa, dei um basta geral
Não quis ser rico, quis ser real
Voltei pra vida interna, de oração
Vários locais viraram extensão
Hoje ensino o que vivi
Pra que ninguém precise cair pra evoluir
Já vi os falsos vendendo verdade
E o povo comprando falsidade
Mas espiritualidade não é vitrine
É dor, amor e disciplina
A Terra é Shan, missão coletiva
Quem dorme sonha, quem desperta ativa
Não é mantra, não é decoração
É viver coerente com a vibração
Eu sou Shietnar
Mas antes de tudo estou Carlos
Um homem que viu o céu abrir
E nunca mais dormiu
A luz azul nunca me deixou
Mesmo quando se estatua a noite