O Taxista Me Contou

Rodrigo Lannine

Ele entrou no táxi, fim de tarde
Gravata meio torta
Cansaço no olhar
Disse toca pra empresa, mais um de igual
E o taxista riu, jeito de quem sabe mais

No banco de trás, já conheço essa voz
Esse perfume forte, eu sinto faz tempo
Tem uma moça aí, que vive esse trajeto
Mas não vai pro trabalho, eu sou testemunho atento
Ele gelou na hora, como assim seu João?
O velho respirou fundo e largou a revelação

O taxista me contou, que a minha esposa tinha outra vida escondida
E aquele turno extra era a saída
Pra viver amor que não era comigo
O taxista me contou
E meu castelo virou fona avenida
Mas nesse choque eu fiz uma saída
Hoje eu rio e digo: Foi livramento divino

Rapaz, eu te respeito
Mas preciso falar
Seu coração merece alguém que queira ficar
Enquanto você suava, pra pagar o aluguel
Ela ria no banco, aqui usando seu anel

Ele olhou pra janela, engoliu o mundo
E o seu sonho antigo, indo embora em segundos
Pagou a corrida, mas ganhou liberdade
Deixou no asfalto a velha saudade
Doeu igual bancada
Mas clareou o chão
Às vezes é na queda que a gente aprende a direção

O taxista me contou
Que a minha esposa tinha outra vida escondida
E aquele turno extra era a saída
Pra viver amor que não era comigo
O taxista me contou
E meu castelo virou fona avenida
Mas nesse choque eu fiz uma saída
Hoje eu rio e digo: Foi livramento divino

Hoje eu passo de picape na praça
Violão no banco, sorriso na cara
Se o coração lembra, eu só agradeço
Valeu, seu João, por mudar meu endereço

O taxista me contou
Que a minha esposa tinha outra vida
Escondida mas naquele tombo eu fiz subida
Coração ferido agora é meu melhor amigo
O taxista me contou
E a decepção virou canção na avenida
Brindou a verdade que salvou minha vida
E o final ficou bonito

O taxista abençoado


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