Sobre o lombo do cavalo ao sabor do vento
O gaúcho e o caatingueiro vivem em seu próprio tempo
No jeito com gado, na lida do vaqueiro
O gaúcho e sertanejo se entregam por inteiro
Um com roupa e chapéu de couro
O outro como bombacha pala ou chiripá
São vestes de alma indígena, cada uma do seu lugar
Seja na chuva que passa ou na seca que vem
O sorriso resiste e a esperança também
Melhor será a colheita do ano que vem
O mate aquece a alma no frio, de manhã se faz o café
O xote embala o corpo macio, seja no sul ou no sertão da fé
Cada qual nos contagia pela beleza que é
Um é puladinho, o outro arrasta o pé
Se um canta Dominguinhos com sanfona e poesia
O outro entoa na gaita um Teixerinha com alegria
Se encantam e se encontram no sopro de um fole, um belo som
Que se abre e se encolhe, mas cada qual com seu próprio tom
E quando o Sol se põe, no pampa ou no sertão
Toda gente admira, a beleza que no céu se fez clarão
O gaúcho e o sertanejo, tenho certeza são irmãos
Tecendo e trançando suas histórias
São os filhos de uma mesma nação
Assim seguimos juntos em versos e canções
Celebrando as semelhanças de nossas tradições
É o Brasil que brilha entre pampas e sertões