TUDO QUE FIZ ESTÁ DESFEITO

Poeta J Sousa

Construi uma mansão
A 30 anos atrás
Ela não existe mais
Foi vítima de um furacão
Nem os seus entulhos não
Existem atualmente
Da mansão resta somente
O terreno abandonado
O que eu fiz no passado
Está desfeito no presente

Com Maria Beatriz
Filha de João Benedito
Um casamento bonito
Gastei muito mais eu fiz
Com um ano a infeliz
Me deixou urgentemente
Foi morar com um tenente
Que além de feio é veado
O que eu fiz no passado
Está desfeito no presente

Num terreno abandonado
Eu fiz um chácara um dia
O terreno pertencia
A um tal de Zé Machado
Ele apareceu zangado
Fungando igual serpente
Desfez a chácara urgente
E fez um curral de gado
O que eu fiz no passado
Está desfeito no presente

Eu fiz uma amizade
Muito grande antigamente
Mas não tenho atualmente
Um amigo de verdade
O tempo e a auta idade
Matou todos certamente
Só eu inda sou vivente
Sem amigos do meu lado
O que eu fiz no passado
Está desfeito no presente

Casei e constituí
Uma família unida
Mas a família querida
Não está mais comigo aqui
A esposa eu perdi
Para um tal de João Vicente
Meus filhos infelizmente
Cada um hoje é finado
O que eu fiz no passado
Está desfeito no presente

Eu comprei um caminhão
E transformei num palanque
Um palanque ambulante
Pra fazer apresentação
Mas um bandido ladrão
A noite ocultamente
O incendiou de repente
Meu palanque foi queimado
O que eu fiz no passado
Está desfeito no presente

Um tal de Zé da Cocada
Abandonou numa rua
Uma bicicleta sua
Por que estava quebrada
Eu consertei a danada
Deixei nova novamente
Ele apareceu valente
E a tomou soltando brado
O que eu fiz no passado
Está desfeito no presente

Meu pé de meia com fé
No passado eu fiz lutando
No presente está faltando
Até meia pro meu pé
Está faltando até
Marca-passo para o peito
Estou vivendo de um jeito
Que só me chamam coitado
O que eu fiz no passado
Está desfeito no presente

Eu recitei esse mote
Com muita satisfação
Sentido meu coração
De alegria dá pinote
Igualmente um frangote
Quando ver uma raposa
Mas antes de qualquer coisa
Eu quero dizer com fé
O mote que eu li é
Do poeta J Sousa

J Sousa escreveu
O mote que eu recitei
Eu contente declamei
O bonito mote seu
J Sousa o mote teu
Na minha mente repousa
Eu vou botá-lo na lousa
Que tiver fama de sobra
O mote que eu li é obra
Do poeta J Sousa

Nada me dá alegria
Mas do que a poesia
Que o J Sousa cria
E eu a boto em minha lousa
Com o coração animado
Batendo acelerado
Mando um abraço apertado
Para você, J Sousa!


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