A viatura cortando a garoa
Luzes vermelhas pela contramão
No rádio, vozes falando depressa
Mais uma chamada em direção ao caos
A farda pesava no fim do turno
Mas havia algo no olhar daquele homem
Quem vive pra proteger os outros
Aprende cedo a esquecer o próprio nome
Sirene aberta pela madrugada
Enquanto a cidade tentava dormir
E entre o medo escondido nas ruas
Alguém escolheu partir
Oh, ecoam sirenes na luz da manhã
Como fantasmas cruzando o luar
Ele saiu pra enfrentar a violência
Mas dessa vez não conseguiu voltar
Ficou o silêncio na mesa da sala
O café esfriando no mesmo lugar
E a dor de saber que existem heróis
Que dão a própria vida sem pensar
O distintivo guardado na estante
A televisão ligada sem ninguém olhar
A casa parece prender a respiração
Esperando ouvir seus passos no portão
As ruas carregam memórias
De quem jurou proteger até o final
E no mundo existem batalhas
Que deixam marcas de traço fatal
E mesmo depois do último chamado
Ainda existe algo no ar
Como se cada sirene na distância
Tentasse fazê-lo voltar
Oh, ecoam sirenes na luz da manhã
Entre sombras perdidas no ar
Porque certos homens nunca desaparecem
Quando escolhem a coragem pra ficar
Ooh