Estranha Nostalgia

Paulo Victor (Pop)

A luz da Lua o meu quarto invade
Taça de vinho presa à minha mão
Os prédios dormem nesta cidade
E o velho disco embala a solidão

A solitude traz consigo verdades
De sentimentos que nunca senti
Tem algo errado em eu sentir saudades
De um tempo em que eu nunca vivi?

E eu fico imaginando
Os velhos tempos dessa vida
Casais dançando juntos
Sob luzes coloridas

Talvez eu tenha nascido
Sem querer no século errado
Meu corpo mora aqui
Mas minha alma mora no passado

Oh, gira a vitrola outra vez
Enquanto a cidade dorme em neon
Eu brindo a memórias que nunca toquei
Perdido em canções fora da estação

Sou jovem demais pra lembrar
Velho demais pra esquecer
Saudade de ruas que nunca pisei
E de tudo o que eu quis viver

O saxofone chora através da vitrola
Como um filme perdido no ar
Retratos imaginários me encaram
Como se eu os pudesse tocar

Talvez em outra vida esquecida
Eu conheci tudo aquilo ali
As pistas, os bares, as luzes da esquina
Os amores que eu nunca vivi

Se o mundo acelera
Eu diminuo a rotação
Prefiro o chiado sincero
Do vinil no coração

Oh, gira a vitrola outra vez
Enquanto a madrugada cai
Eu fico sozinho ouvindo o vinil
Com fantasmas que o tempo não traz

Sou filho do agora
Mas preso em outra canção
Um estranho perdido entre décadas
Buscando abrigo na recordação

A agulha insiste em voltar pro começo
Talvez, eu recomece também


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