Próximo
A tela brilha, o quarto tá escuro
Um deslize pro lado, outro muro
Um cardápio de torsos, sem rosto, sem nome
Onde a gente se olha, mas ninguém mata a fome
É um leilão de carne em alta resolução
Onde o oi já nasce com prazo de extinção
Você busca o brilho das capas de revista
Aquele abdômen que cega a sua vista
Mas o perfeito não deita na sua cama
E quanto mais você rola, menos você ama
Oh
É um catálogo de vidro, prateleira de ilusão
Sempre à espera da próxima perfeição
Mais rico, mais belo, um troféu pra exibir
Mas no fim do scroll, não tem pra onde ir
Não tem pra onde ir
É vazio o clique, é mudo o prazer
Quanto mais você tem, menos consegue ser
O match de hoje é o vácuo de amanhã
Viciado na busca, nessa promessa vã
De que a felicidade tá no próximo perfil
Numa coleção de egos, num inverno febril
A gente descarta gente como se fosse papel
Tentando encontrar um Deus num pedaço de céu
Você troca calor por aprovação
Transforma desejo em competição
Mas quando a madrugada invade o visor
Só sobra silêncio depois do amor
Oh
É um catálogo de vidro, prateleira de ilusão
Sempre à espera da próxima perfeição
Mais rico, mais belo, um troféu pra exibir
Mas no fim do scroll, não tem pra onde ir
Não tem pra onde ir
É vazio o clique, é mudo o prazer
Quanto mais você tem, menos consegue ser
Modelos de gesso, filtros de solidão
A vida passando na palma da mão
O melhor tá vindo? Ou você que se perdeu?
Nesse mar de pixels onde o nós morreu
Oh
É um catálogo de vidro, prateleira de ilusão
Sempre à espera da próxima perfeição
Mais rico, mais belo, um troféu pra exibir
Mas no fim do scroll, não tem pra onde ir
Sempre sozinho
É vazio o clique, é mudo o prazer
Quanto mais você tem, menos consegue ser
Próximo
Próximo
Próximo
Sempre vazio
Sempre só