Em túneis plenos de prazer
Pintados com o alvorecer
Vivos hoje vêm
Mortos amanhã virão
Circula sem conceber sentido
Tudo o que eu havia sido
Nada escapa neste domínio
De desespero contra o limbo
Botões de perdão
Florescem no caule amargo
Crédula é sua ambição
Na melhor das conjecturas
De crer que no coração
De homens há coisas puras
Em suas coxas nuas a aclarar
Fumo, névoas e luar
Quando a escuridão
Dorme, sonha com você
A mim, um desprezo sem lágrimas
Tédio é o exílio da vontade
O arrastar dos dias se iguala
Às turfas vis que abaixo ardem
Provo a bile de cada entranha
E, para o mar de ossos, cuspo
Porque a noite que me acompanha
Não some ao nascer do crepúsculo