Poltrona 36

Odair & Odilon

Ao despedir da minha doce namorada
Um beijinho selou nossa despedida
Fui ocupar a poltrona trinta e cinco
De um monobloco que já estava de saída
Quis o destino, por maldade ou ironia
Que a poltrona trinta e seis fosse ocupada
Por um alguém que eu deixei um certo dia
Qual a razão eu não me lembro quase nada

No toca-fitas veio a nossa melodia
E da poltrona 36 ela sorria

E nos teus olhos cor do céu, aquele mesmo amor
E nos teus lábios, um convite para um beijo meu
Tomei seu rosto com carinho entre as minhas mãos
E prometi que desta vez não vou dizer adeus
Ao sabor da velocidade, ela me abraçou
Se uniram nossos lábios, e o tempo parou
E o monobloco mil carinhos transportava
E o longo asfalto em céu azul se transformava

Os sonhos que me iludiam se desmoronou
Quando o cordão da campainha sua mão puxou
E o seu olhar banhado em pranto a me pedir perdão
Quando sem falar em nosso adeus, estendi a mão
O monobloco então parou, meu coração também
Ela, ao descer, foi recebida por um outro alguém
Juntinho dela todo o meu amor ficava
Todos me olhavam, pouco importa, eu chorava

No toca-fitas veio a nossa melodia
E a poltrona 36 está vazia


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