(Ela sempre viveu assim)
Pe-pe-pe-pedrada!
Pedrada na cabeça
Ela sempre viveu assim
Dia a dia de sua vida
Dura demais, dura sem fim
Apanhou tanto da vida
Que hoje não sente mais dor
Violência!
Aos cegos, é só rigor
O mestre mandou sorrir
O mestre mandou calar
O mestre mandou ser linda
E nunca sair do lugar
Pele marcada pela estaca
Vozes que ferem, trovoadas
Tudo que penso não é meu
O mundo não te acolheu!
Pedrada na cabeça
E todo mundo quer que eu esqueça
Tudo que penso não é meu
O mundo não te acolheu!
(Pe-pe-pe-pedrada!)
Não sabe o que fazer
Não tem tempo nem lugar
Bailarina de caixinha
Gira pra alguém olhar
Senta direito, menina. Fala baixo. Isso não é pra você
No quarto, frases de protesto
Que só fazem sentido
Quando não há nada pra sorrir
E nos stories: Tô bem, sim
O mestre mandou não chorar
O mestre mandou servir
O mestre mandou: É fase
E ela aprendeu a sumir
Pele marcada pela estaca
Vozes que ferem, trovoadas
Tudo que penso não é meu
O mundo não te acolheu!
Pedrada na cabeça
E todo mundo quer que eu esqueça
Tudo que penso não é meu
O mundo não te acolheu!
Pros cegos é rigor!
Pros cegos é normal!
Quem nunca errou
(Que atire a primeira pedra!)
Aprendeu a não chorar
Aprendeu a se calar
Com as pedras que jogaram
Aprendeu a levantar
Hoje ela vai gritar!
Pele marcada pela estaca
Vozes que ferem, trovoadas
Tudo que penso agora é meu!
Pedrada na cabeça
E ainda querem que eu esqueça?
Tudo que penso agora é meu
E o mundo que não me acolheu
Vai ter que me ouvir!
(Vai ter que me ouvir!)
(Pe-pe-pe-pedrada)
(Ela não vai mais viver assim.)