Avalanche Do Amanhã

Nubinelma Fernandes

Deixamos a poeira assentar
Promessas guardadas no fundo dos dias
Mas o tempo não sabe esperar
E agora ele bate na porta vazia

Os ponteiros gritam, não querem calar
O que ficou para depois, agora desaba
Carrego o peso de quem não quis olhar
E tento salvar o que escorre na lava

Mas quem é que aguenta
Segurar a vida alheia em mãos tremendo?
O relógio não cansa
E enquanto o dano vira vento

É uma avalanche do amanhã
Trazendo as contas, as dores, a falta de um plano
E quem ainda respira não pode fugir
Me chamam pra ajudar, mas quem vai me ouvir?

É uma avalanche do amanhã
Soterrando o depois que nunca chegava
Acordo às três, o coração quer gritar
Será que há tempo pra recomeçar?

Você sente o mundo quebrar
Nos olhos cansados de quem só insiste
Uma tarefa que não sei como acabar
E uma voz sussurrando que ainda resiste

Bem que eu queria deitar e dormir
Mas a tempestade não cessa o seu golpe
As escolhas do mundo pedem o meu agir
E eu sou só alguém segurando um holofote

Mas quem é que aguenta
Ser força e abrigo sem chão pra pisar?
Enquanto o caos lamenta
E o amanhã não quer esperar

É uma avalanche do amanhã
Trazendo as contas, as dores, a falta de um plano
E quem ainda respira não pode fugir
Me chamam pra ajudar, mas quem vai me ouvir?

É uma avalanche do amanhã
Soterrando o depois que nunca chegava
Acordo às três, o coração quer gritar
Será que há tempo pra recomeçar?

Cada lágrima que cai carrega escolhas
Cada grito rouco se perde na noite
Mas se a estrada é feita de perdas e folhas
Quem somos nós, senão quem ainda colhe?

É uma avalanche do amanhã
Mas talvez a gente precise cair
Pra despertar o que ainda está vivo
E aprender o que é reconstruir

É uma avalanche do amanhã
Mas se a gente se segurar no olhar
Quem sabe sobra espaço no tempo
De aprender a revivenciar

É uma avalanche do amanhã
É uma avalanche do amanhã


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