A tela do celular é o único Sol
Minha vida é um feed que rola sem fim
A notícia de sempre, a mesma opinião
Desligo por dentro, não sinto emoção
Eu vivo num corpo que não sinto mais
Preso nessa tela onde eu finjo ter paz
Lá fora, a vida real passa embaçada
A janela está aberta, mas não olho pra nada
Ninguém mais se espanta, o horror virou pó
A raiva é um arquivo que já corrompeu
O certo e o errado perderam a voz
A bússola moral dentro de nós quebrou
O grito de antes hoje é só um bocejo
A lágrima é um emoji, um falso desejo
O escândalo de hoje ninguém lembra amanhã
A memória é mais curta que um post no feed
O absurdo virou normal, é o ar que se respira
Aceito por todos num like que expira
O velho sistema na sua última dança
Deixando a loucura como nossa herança
Comunismo, socialismo, capitalismo e tantos ismos
Velhas ideias no museu
São apps antigos que ninguém esqueceu
Representar é só vender uma nova marca
O poder vazou do estado, afundou de vez a barca
E hoje está na nuvem, num código frio, no algoritmo
Que vende o caos e nos prende neste mesmo ritmo
O absurdo virou normal, é o ar que se respira!
Aceito por todos num like que expira!
O velho sistema na sua última dança!
Deixando a loucura como nossa herança!
Vivendo entre sombras de um mundo que acabou
E o futuro é uma página em branco que nos restou
A desconexão não é um bug, é o produto final
Um fantasma na própria vida, num loop virtual
O absurdo virou normal, é o ar que se respira!
Aceito por todos num like que expira!
O velho sistema na sua última dança!
Deixando a loucura como nossa herança!
Desliza
Visualiza
Compartilha
Viraliza
Sistema, operacional, obsoleto
Representação, não encontrada
Sentimento, arquivo, corrompido
Desliza
Viraliza