A gente liga a TV pra ver o jornal
A absurda notícia nos parece normal
Um riso de canto, um balançar de cabeça
Só mais um dia na nossa vida besta
A mentira desfila em carro aberto na avenida
A honra ferida só nos causa apatia
A gente se olha, engole a seco o espanto
Afoga a revolta em mais um canto
E a narrativa corre solta unificada
E o absurdo virou lei, virou moda, virou normal
Um carimbo oficial num delírio fulgaz
Bate o martelo no tribunal da insanidade
Transitou em julgado em um só
Juiz, promotor e delegado
Bem-vindos à nossa nova normalidade
A deusa da balança pende pro lado forte
A venda em seus olhos é a biruta que delata o norte
A toga se arrasta no chão maculada
Justificando o caos com jurisdição
Sentenças que parecem camões dos lusíadas
Transformam a simplicidade num lixo verbal
Com tanta frequência, a gente até se acostuma
A lógica morre, e ninguém mais a exuma
E o absurdo virou lei, virou moda, virou normal
Um carimbo oficial num delírio fulgaz
Bate o martelo no tribunal da insanidade
Transitou em julgado em um só
Juiz, promotor e delegado
Bem-vindos à nossa nova normalidade
Quem foi que nos disse que era assim mesmo?
Que o grito calado era sinal de apreço?
Perdemos a linha, o prumo, a direção
E aplaudimos em pé nossa própria rendição
E o absurdo virou lei, virou moda, virou normal
Um carimbo oficial num delírio fulgaz
Bate o martelo no tribunal da insanidade
Transitou em julgado em um só
Juiz, promotor e delegado
Bem-vindos à nossa nova normalidade
E o absurdo virou lei, virou moda, virou normal
Um carimbo oficial num delírio fulgaz
Bate o martelo no tribunal da insanidade
Transitou em julgado em um só
Juiz, promotor e delegado
Bem-vindos à nossa nova normalidade
O absurdo é normal, tão normal
A gente até dorme em paz, no final
Normal
E o absurdo virou normal