Ô, Brasil sambando no fio da navalha
Quem não rebola, tropeça
Quem pensa, apanha
Eu sei que a coca ainda cola
Na garganta seca do povão
Enquanto a fome bate a porta
E o pix do mês cai sem perdão
O celular brilha na mão suada
Faz selfie, faz pose, faz nada
Enquanto o gás sobe e o feijão foge
Da prateleira virada
Mas o que é que eu não sei?
Se o ladrão tá de terno ou de farra
Se o herói é juiz ou piada
Se a reforma é pra mim ou fachada
Tem golpe com hino e oração
Tem voto com contradição
Tem fé, mas só pra quem paga
O resto se vira na brasa
O boi virou banco
A vaca é discurso
O agro exporta
E o povo sem curso
O coach virou padre
O pastor influencer
E o povo tropeçando
No histórico do vencedor
Na escola tem medo
Na rua blindado
Na tela tem tudo
Menos o Estado
Tem fone sem fio
E voz censurada
E o preço da carne
Na Lua gelada
Mas que confusão
Nem alface escapa da bala
Nem samba resiste calado
Nem me adianta mais nada
Se tudo eu já sei
E o resto é replay
Prefiro esquecer
Pra cantar como rei
Sou desafinado
Mas meu samba é marcado
Na palma sofrida de um povo enganado
Mas o que é que eu não sei?
Se há ladrões
Mais espiões
Reformas mil salvem o Brasil
Somos fiéis
Viva os quartéis
Armas na mão
Que confusão
Democracia
Que porcaria
Ditadura Sem compostura
Os preços altos
Meu Deus, que assalto
O boi, reclama da vaca que chama
Da morte do forte
Do fraco
Do fino
Da forca sem fio
Até os reclamantes
São mui varonil
Pretendem mudar esta terra
Esta gente
Este nosso Brasil
Mas que confusão
Não entendo mais nada
Se alface e salada
São do mesmo padrão
Se tudo já sei
Dentre outras mumunhas mais
Prefiro saber
Aquilo que sei
Dentre os restos de mais
Sou desafinado
Sou desafinado
Sou desconectado
Desconectado
O sinal vai sumir
Vai sumir
Sem sinal