Como poeta era um ótimo filósofo
E como filósofo um ótimo poeta
Isso significa dizer que nunca foi bom
Em nenhuma das duas coisas
Mas a questão nunca foi ser bom
Em alguma coisa, a única questão
Que realmente importava, era ser
Somente um rimante inescrupuloso
Pode especular estrofes
Sem receio de cair em prosa
Um artífice premeditado da palavra
Ou pós-ditado, aquele que diz
Eis o ditador, um versenário
Vil a cada oração
Um expoeta que despétala, em camuflagem
Sorrateira, até ser lido e desferir o bote, certeiro
Inflamado, fatal, injetando antídoto
Um mero ente, alterado
Que em algum súbito relance, havia tido o todo
Então ele constata
Um milhão e meio de razões para ir
Talvez uma ou meia motivações pra ficar
Só tenho uma coisa a perder, a inspiração
E se eu permanecer, ela se vai. Portanto
Me vou, para que ela fique
Espero um dia conseguir suportar a mim
E quem sabe muito esperançoso
Conviver comigo mesmo
Não precisa ser esplêndido, mas às vezes é
Não precisa ser formidável e magnífico, às vezes é
Nossa ecolocalização capta
Os cardumes fartos em espiral
E o esquadrãovagalume
Inda pulsa estridente
Ela era do tipo persistente insistente
Não deixaria que nada a deixasse esfriar
Ela era tipo encrenqueira valente
Ficaria com tudo ou nada iria bastar