Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas

Michel F.M.

Satirizam a submissão dos cães
Mas ignoram tua lealdade
Poucas coisas são tão puras
Quanto as tempestades

E só o estrago que ela causa
É enfim, tido como verdade
Todo estrago que causamos
Foi nossa mera vaidade

Nossas virtudes?
Nunca tivemos ou
Não foram reconhecidas

Então somos lembrados
Apenas pelos vícios
E nossas gloriosas recaídas

Queimaremos tudo pelo caminho
Ao primeiro sinal de perigo, menina
Combatemos as labaredas
Jogando gasolina

Desvendando o homem invisível
Eis o teu talento, humano
Transmutar-se em combustível

Tudo que queremos
É tocar a medula
Chegar ao tutano
E semear o pó

Encontrar aquela gata de preto
Em plena sexta-feira 13
Foi sorte demais
Pruma vida só


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