Hoje eu me apaixonei
Por quem eu menos me pareço
Foi amor de berço, sem preço
Inverso, incerto, ao avesso
Eu era Jobim, ele Jorge Ben
(Ben Jor)
A efígie do meu anverso
Que me protege de Seu Alguém
Em cada trecho do meu verso
Mais pra lá do que pra cá
Vai e vem, não sei pra quê
Arco e flecha que me acerta
Mirando o meu balancê
Hoje eu me apaixonei
No ritmo do balancê
Hoje eu me apaixonei
Pelo vento que varre
A folha seca do meu Carvalho
Pelo galego desajeitado
Que anda sempre ao meu lado
Que não é fado, nem flamenco
Nem Flamengo, nem Bahia
É Central que aceita, inquieto
O peso da minha alegria
Hoje eu me apaixonei
Que embora avesso e invasivo
Agita meu lado empírico
Hoje eu me apaixonei
No ritmo do balancê
Hoje eu me apaixonei
Pelo tesão da ambiguidade
A tal da crase que vai à Grazi
Quando eu escolho o till
Pela espirituosa mocidade
Que, sem idade e vaidade
Vira cria do Brasil