Implorei à primeira estrela da noite
Pelos olhos de Maria Madalena
Que me guiasse pelo caminho enfeitiçado pela Lua
Sob a luz primordial
Testemunha da chama da Paixão
Ela não teve piedade do meu clamor
Me escondi, alma perseguida
Na pureza do lírio
Ó, minhas Três Marias
Luzes que iluminam a estrada
Não me deixem aqui sozinho
No meu pecado e na minha ruína
Na Constelação Dourada
Ao vosso lado quero ficar
Me voltei para mais uma Estrela
A esposa de Zebedeu
Implorei por um vislumbre de fé
Um olhar que me libertasse
Mas ela desviou o rosto
E deixou meu espírito à deriva
Afundei meus olhos cansados e inquietos
Na lama escura e agitada
Ó, minhas Três Marias
Luzes que guiam o caminho
Não me deixem aqui sozinho
No meu pecado e na minha ruína
Na Constelação Dourada
Ao vosso lado quero ficar
Mas à terceira, a silenciosa
Optei por nada pedir
E ainda assim a fome no meu peito
Espalhou sombras pelas trevas
Acendeu os becos um por um
Despertou as lamparinas na noite
Empurrou o amanhecer de volta
E manteve minhas filhas na luz
As velas foram preenchidas pelos mares
Mil destinos desfeitos
O próprio Tempo e o Espaço se calaram
Enquanto o horizonte se abriu
E ali estava eu, em lágrimas e graça
Nos braços daquela jovem Maria
Me entreguei ao seu abraço
Servo, aprisionado e exausto