A Lua se esmaeceu na escuridão
A sombra do poste risca o chão
Aos seus pés, feito um amuleto
A cadelama cor-de-rosa no preto
Se espalha encolhida sem reação
O vento traz o eco da gaita e do trem
De uma geração de taita não restou ninguém
Bebo um trago amargo, que trago do passado
O tempo é um bicho que dorme acordado
Essa noite que não tem mais fim
As tristezas da vida que se acumulam em mim
O candombe, a milonga, sangra a alma platina
O destinado errante molhado pela neblina
Tem com ele o cuidado, quando dobra a esquina
O espelho manchado mira e reflete
A estátua do ginete, penúria ao relento
O desalento na noite pintada de giz
Tem todo pecado em um quadro
Marcado por uma funda cicatriz
Essa noite que não tem mais fim
As tristezas da vida que se somam em mim
O candombe, a milonga, sangra a alma platina
Como gado marcado pro matadouro rumina
Perguntando a Deus, porque me deste esta sina
Madrugada de verniz
O bar por um triz
Tudo se calou
A canção ficou
Assim eu quis