Virou um imbróglio, a tal dívida histórica
É proibido falar disso aqui nessa nação
O holocausto de um povo, uma gente linda e heróica
Por aqui ainda é negado e causa muita confusão
A democracia racial, é só uma ideologia
É coisa da casa grande, nada mais que utopia
A carne preta ainda é
A mais servida aqui nesse chão
O holocausto da minha gente é o alicerce dessa nação
Aqui os negros de todos os matizes
Ainda sangram, todos os dias
Sofrendo pena de vida, na maior das covardias
Nós, somos o povo negro
E ainda pagamos com a vida
Basta só olhar os números
Pois isso não é segredo
Nós sustentamos com o sangue
Essa vil pornôcracia
Nós sustentamos com o sangue
Essa vil pornôcracia
Sendo crioulo, ou mulato
Mestiço, cabra, ou curiboca
Ou mesmo negro da terra
Nunca conseguimos ser livres
A injustiça aqui impera
E os bandidos travestidos
São quem manda e que governa
Não importa qual seja a alcunha
Ainda somos um povo maltratado
São tantos nomes para um mesmo povo, sempre excluído e marginalizado
Mas se alguém de repente eleva a voz
E põe na pauta, a forçada servidão
Chove mentes vis, cheias de privilégios
Ou ignorantes de prontidão
Para relativizar a dor, e o sacrifícios dos nossos ancestrais
E as desgraças que perduram aumentando nossos ais
Nós somos a mestiçagem
Nós somos a descendência
Ainda escravizados
Nessa república da indecência
Nesse estado desorganizado
Que nasceu e já foi sequestrado
Desde o primeiro governo geral
Pelos ladrões e canalhas
Aventureiros e mentirósos
Senhores da tradição
Que sequestraram o estado e determinam o fado
De toda a nossa nação
São eles os lesa pátria, das mais várias origens e aparências, sempre a matar e a roubar
Ganhando e preservando os seus privilégios viz, pela força e as violências
Enquanto o povo vive na miséria
Sem emprego, e sem saúde, segurança ou educação
Pois aqui, nessa pornôcracia
Paraíso das putas e dos cafetões
A verdade está explícita e grita
Somos os filhos espúrios, frutos da forçada servidão
Somos os filhos do holocausto negro
Os filhos da escravidão