Rapsódia de Amor

Francisco Alves

Morre, ó, luz dos olhos meus
Para o pranto reflorir
Piedade, eu num [?]
Peço a Deus, ao meu carpir

Rir, tu deves rir desta paixão
Fazes bem zombar do meu sofrer
Fere, fere bem aqui, no pobre coração
No coração que insiste
Em vão, em te querer

Quando compreenderes
Minha mágoa, mágoa
Que a sonhar
Fiz germinar desta paixão
Hei de perolar nos meus olhos
As frias gotas d'água
Íris do tormento, ígneo sofrimento
Glorificando a alma e o coração

Ai, se eu pudesse exterminar
Esta saudade atroz
Na ânsia de um beijo
Ó, senhor, quanto sofremos nós
Louco é o sonho meu
Ainda mesmo que a penar
Ser teu escravo, só teu

Nem sequer te comoveu
Todo o pranto que verti
Não importa, eu bem sei
Que é fado meu morrer por ti

Deus, ó, criador da natureza
Vem santificar minha tristeza
Para, enfim, exterminar esta cruel paixão
Que em gelo vem me transformar o coração


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