O Berrante de Madalena

Francis Rosa

Comprei uma boiada brava
E vim trazendo no chão de Goiás
Depois de atravessar a fronteira
Do rico estado de Minas Gerais
A boiada estorou
No pé da grande Serra dos cristais
Lutei bastante, quase o dia inteiro
Mas a boiada esparramava mais
Morreram cinco dos meus companheiros
Fiquei sozinho com o capataz

Meu companheiro me falou chorando
Espero em Deus o nosso salvador
Olhei pro céu e avistei baixando
Um misterioso disco avoador
Saltou por terra moça boiadeira
E o seu berrante mudava de cor
Falou contente com lindo sorriso
Pra te salvar aqui hoje eu estou
Eu vim do céu pra salvar a boiada
E o seu berrante ela repicou

Estou chegando, tocando o meu berrante
Tenha juízo, ó meu grande amor
Eu vim do céu pra salvar a boiada
Cumprindo ordens de Nosso Senhor
Com o repique de seu berrante
Logo a boiada foi aglomerando
E os companheiros que tinham morrido
Naquele instante eu vi ressuscitando
Vendo o milagre desta boiadeira
Que para o céu ela foi levitando
Seu rosto lindo era o de Madalena
E as minhas penas ela foi perdoando
Cai de joelho, com o rosto em terra
E de contente solucei, chorando

Quando a boiada entreguei em Barretos
Foi três mil boi contado na chegada
Foi um milagre de Madalena
A boiadeira que eu vi lá na estrada
No outro dia eu fui acordando
Mas foi um sonho da grande jornada
Por isso mesmo eu creio em Madalena
A pecadora foi santificada
Qui será sempre minha protetora
Porque minha alma já se sente amparada


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