Um Sujeito de Mau Aspecto (Solidão de Lobo)

Fernando Pellon

Tudo nessa vida passa, dizem os tolos
E a vida escoa na mais atônita paz
O caso é que eu ando mal e porcamente
No gelo das ruas, solitário, demente
O meu sorriso é um doente nervoso
Nenhum prazer eu mostro no brilho dos dentes
Quem sabe um pouco mais me adiante
Quem sabe um gesto mau me adormeça
Me faça deitar um pouco a cabeça
No colo quieto de gente

Ai, eu sei
Tudo isso vai me roendo sem remédio até o fim
Mas, porém, contudo, todavia, entretanto
Não falem mal dessa mulher perto de mim
Não sei mais onde vive o meu instinto
Onde guardo o meu ódio mais puro e mais franco
Só sei andar aos trancos e barrancos
Ai, amor
Rejeite de vez todos os meus atos falhos
Respeite ao menos os meus caninos brancos


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