Deu Vontade de Chorar

Felipão de Ribeirão

Ela passou por mim como passa a maré
Molha o pé da gente e volta sem olhar
Deixou marca na areia, cheiro de maresia
Promessa de um verão que não chegou a chegar

Eu fiz a viagem toda dentro do meu peito
Vi o Sol descer na curva da tua mão
Mas era sonho meu, e sonho de um não tem jeito
É castelo de vento, é palácio sem chão

Deu vontade de chorar
Daquele choro que a gente engole e faz de conta
Vontade de chorar por um amor
Que nem chegou a começar
Nem chegou a começar
E já doeu como se fosse tudo

Era você que eu queria naquele céu azul
Era o teu riso enchendo o meu vazio
Guardei o teu lugar na janela do avião
Morena, o mundo ficou pequeno sem você pra dividir

Foi tudo tão bonito enquanto era só ideia
Tão perfeito enquanto era imaginação
A gente encheu de estrela uma noite alheia
E acordou de manhã com o vazio na mão

Deu vontade de chorar
Daquele choro que a gente engole e faz de conta
Vontade de chorar por um amor
Que nem chegou a começar
Nem chegou a começar
E já doeu como se fosse tudo

Foi um encontro e mais nada
Um domingo e um adeus
Uma morena que passou
Como estrela cadente no céu

Deu vontade de chorar
Daquele choro que a gente engole e faz de conta
Vontade de chorar por um amor
Que nem chegou a começar
Nem chegou a começar
E já doeu como se fosse tudo

Se um dia você vier, não precisa ser setembro
Não precisa ser o mar, nem precisa ser assim
Pode ser uma esquina, um café, um dezembro
O que eu queria mesmo era você olhando pra mim


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