Soneto do Amor Incauto

Enric Rafel

Pelas veias do amante, livremente
Corre o amor com debochado riso
Fazendo-o renegar o juízo
Viver a cada passo um de repente

Ser infrator, não raro incoerente
Totalmente imune a sinais de aviso
Seguro do que quer, mas indeciso
Sobre todo não querer que ele sente

Amor louco, porém sincero e probo
Fascinante, mesmo que às vezes bobo
Provoca o caos, tremenda tempestade

De quem ama faz, pois, um suicida
Que dele mesmo, o amor, morre em vida
Para em vida encontrar a eternidade


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