A cidade tem sede
Mas não de água
De alma
De vingança
Eu bebo do cano
Cuspindo pecado
Camarilla joga
Esgoto disfarçado
A fé escorre
Marrom ma sarjeta
NOX respira mofo
Mas se completa
Meu flow é drenagem de alma
Cada rima mais um trauma
Deus me deve una litros de sorte
Aqui quem reza morre de
Gaúcho na pista
Copo na mão
Cabeça erguida
Sem perdão
Rindo do sistema
Dessa comédia
Sorriso do caos
Só tragédia média
Sabesp promete limpar
Mas o cano estoura e o sangue tá lá
O breu é bonito quando reflete em mim
Preto de alma, puro querosin
Água Negra
Corre na veia
Rua sangra
Fé incendeia
NOX no cano, submundo guia
A dor é limpa na própria poesia
A carrera viela
Tão bom vir do inferno
Veludo
Veneno interno
Soi eco do samba
No beco apagado
Quem me escuta
Sai transformado
Não tem água limpa só suor
Não tem milagre só rancor
E se Deus quiser me afogar
Que seja no Blues, amarelo na
Ferrugem no Mike
E o ferro que range
Cidade é ferra
Que nunca se vange
O governo promete
Mas nunca aparece
O povo evapora
E o crime agradece
Sou peso da cruz
Nos trilhos do trêm
Sou nó da corrente
O verso do além
E se água subir
Deixa subir
Porque eu nasci pra
Água Negra
Corre na veia
Rua sangra
Fé incendeia
NOX no cano, submundo guia
A dor é limpa na própria poesia
Deus tá na válvula
No encanamento
No cano furado
No sofrimento
A rua é templo
O posto é altar
Quem bebe dessa água
Aprende a sangrar
A cidade tem sede
Mas não de água
De alma