Rema Rema Tica

Cidinha de Almeida

O grande dia no jardim já vai chegar
Todos os insetos correm para espiar
Joaninhas, borboletas e besouros na corrente
Para a grande regata de folhas na fonte

A formiguinha Tica, muito ativa e prevenida
Preparou duas folhas para a corrida
Com medo de rasteiras ou de alguma sabotagem
Dobrou o cuidado para iniciar a viagem

Rema, rema, Tica, põe as patinhas na água
Deixa para trás o medo e a mágoa
Mesmo sem apetrechos para navegar
A tua força interna é que vai te guiar

Mas a ansiedade o coração apertou
E um pequeno teste na fonte começou
Tica subiu na folha para praticar
Mas os seus apetrechos se esqueceu de levar

Ficaram na margem, na outra folhinha
E agora lá no meio ela chora sozinha
Olhos cheios de lágrimas, com medo e com dúvida
Será que alguém os escondeu? Pensa ela, confusa

Lá de cima, voando alto no ar
Um pernilongo amigo começou a cantar
Não fiques preocupada, ninguém te enganou
Foste tu mesma quem lá os deixou

Lembra-te do dia em que tiveste de nadar
Bravamente na água para te salvar
A força da lembrança o desespero afastou
E uma onda de coragem o corpinho inundou

Deu as costas à dúvida, ao cantinho vazio
E começou a remar pelas águas do rio
Com as suas patinhas fortes, sem hesitar
Chegou à outra margem a tempo de largar

Pulou na folha certa, o medo venceu
Pois percebeu a força que a natureza lhe deu
Rema, rema, Tica, põe as patinhas na água
Deixa para trás o medo e a mágoa

Mesmo sem apetrechos para navegar
A tua força interna é que vai te guiar
Agora Tica sorri, já sabe o que fazer
Se um imprevisto na vida voltar a acontecer

Não precisa de trunfos, nem de desconfiança
Suas próprias patinhas são a sua segurança
No jardim da vida, ela vai navegar
Lá vai a Tica, a cantarolar


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