Livro Mudo

Cezar Bezerra

Vai, livro mudo, vai dizer
Que um dia ela me fez cantar
Se houvesse mais canção em nós
Talvez a dor viesse a se acalmar

Meus erros viram versos, sim
Pra eternizar o que eu senti
Na minha voz ela vai ficar
Mesmo quando eu partir

Diz que ela espalha pelo ar
Tesouros sem querer guardar
Sem pedir nada além de dar
Vida ao instante de existir

E eu diria ao tempo: Vai
Deixa esse brilho não morrer
Como uma rosa a florescer
Sem nunca se perder

Deixa o instante viver
Como um brilho a resistir
Nem o tempo vai levar
O que nasceu pra não ter fim

Se tudo um dia se desfaz
Que reste a cor do nosso amor
Daquilo que a gente cantou
E nunca se acabou

Diz que eu me vou com a canção
Mas sem saber de onde ela vem
Talvez outra voz vá cantar
Mais bela ainda do que tem

Outros olhares vão surgir
E outros altares vão se erguer
Mas o que fomos fica aqui
Sem nunca se perder

E quando o tempo nos levar
E o pó calar o que restou
No esquecimento a nos guardar
Como um silêncio que ficou

Deixa o instante viver
Como um brilho a resistir
Nem o tempo vai levar
O que nasceu pra não ter fim

Se tudo um dia se apagar
Que reste a beleza, só
Daquilo que fomos nós
Cantando em uma voz


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