Eles disseram: Fique em silêncio
Disseram: Ninguém vai ouvir
Mas até o silêncio
Um dia, aprende a gritar
Palavras presas na ponta da língua
Verdades sufocadas, virando rotina
Vozes cortadas antes de nascer
Ideias proibidas por ousar viver
Livros queimados, histórias apagadas
Mentes brilhantes sendo caladas
Não era sobre erro, nem razão
Era controle, medo, imposição
Quem decide o que pode ser dito?
Quem controla o som do grito?
Se a verdade incomoda quem tá no poder
Ela deixa de existir ou só deixa de aparecer?
Vozes silenciadas
Mas não esquecidas
Ecoam no tempo
Mesmo proibidas
Vozes silenciadas
Não vão morrer
Por mais que apaguem
Vão renascer
Mudaram as formas, mas não o controle
Hoje não queimam, mas moldam o molde
Ditam verdades, escolhem versões
Prendem ideias em novas prisões
Você fala, mas será que é livre?
Ou só repete o que é permitido?
Quantas verdades você já calou
Por medo do mundo ou de quem julgou?
Não é só história, tá acontecendo
Enquanto você ouve, alguém tá sofrendo
Palavras censuradas antes de existir
Quantas vozes ainda vão sumir?
Vozes silenciadas
Presas no ar
Gritos contidos
Prontos pra quebrar
Vozes silenciadas
Você não vê
Mas cada silêncio
Tem algo a dizer
E não é só o mundo, também é você
Quantas vezes ficou com medo de dizer?
Engoliu palavras, sufocou a razão
Deixou sua verdade presa no coração
Se calou por medo, se escondeu na dor
Trocou sua voz por aceitação e favor
Mas cada silêncio vai te consumir
Até sua essência começar a sumir
Chega de medo, chega de esconder
A sua verdade precisa viver
Porque quando uma voz decide falar
Mil outras começam a despertar
Vozes silenciadas
Agora não mais
O grito é mais forte
Do que o medo jamais
Vozes silenciadas
Vão se erguer
O que foi calado
Vai se fazer ouvir
Ninguém segura
Quem decide falar
Porque a verdade
Sempre vai ecoar
O silêncio nunca foi o fim
Era só o começo do grito