Era pra ser brincadeira
Era pra ser sorriso
Mas virou silêncio
Era só uma criança, correndo pelo chão
Pé descalço na terra, riso solto na mão
Sonhos simples demais, coisa de quem não tem
Mas mesmo tendo tão pouco, ainda sorria também
Mas o mundo não espera, nem sabe ter dó
Cresceu antes da hora, aprendeu a ficar só
Trocaram seus brinquedos por peso e pressão
E o que era só infância virou obrigação
Quem devia cuidar foi quem mais feriu
Quem devia amar nunca apareceu
E no lugar do abraço, só restou dor
Um coração pequeno aprendendo o terror
Roubaram nossa infância
Calaram nossa voz
Onde era pra ser vida
Só restou o pó
Roubaram nossos sonhos
Quebraram o que era luz
Crianças viraram sombra
Carregando a cruz
Mãos pequenas trabalhando enquanto o Sol castiga
Olhos cansados cedo, vida que não abriga
Outros dentro de casa, vivendo o pior
O perigo não tá fora, ele mora ao redor
Silêncio no quarto, medo no olhar
Segredos pesados, difíceis de falar
E o mundo lá fora, fingindo não ver
Quantas vidas pequenas tentando sobreviver
Quantas vozes foram apagadas?
Quantas dores foram ignoradas?
Quantas histórias ninguém quis ouvir?
Quantas crianças não puderam fugir?
Roubaram nossa infância
Calaram nossa voz
Onde era pra ser vida
Só restou o pó
Roubaram nossos sonhos
Quebraram o que era luz
E o mundo assistindo
Enquanto a dor nos conduz
Crescem por fora, mas por dentro não
Carregam marcas que ninguém vê não
Adultos por força, crianças por dor
Aprendendo na vida o peso do terror
E mesmo depois, quando o tempo passar
Essas feridas vão acompanhar
Porque infância perdida não volta jamais
É um pedaço da alma que não se refaz
Quem vai responder por tudo que foi?
Quem vai devolver o que se destrói?
Não era pra ser assim tão cruel
Crianças pedindo socorro ao céu
Roubaram nossa infância
Mas não nos calamos
Mesmo feridos
Nós ainda falamos
Nossas cicatrizes
Vão ecoar
Até que o mundo
Decida mudar
Ninguém mais sofre
Ninguém mais cai
Que toda criança
Possa ser o que é capaz
Eu só queria brincar